A inteligência artificial já não é apenas uma promessa para o mercado segurador. No ITC Vegas 2026, ficou evidente que a discussão está avançando da experimentação para a aplicação efetiva da tecnologia em processos como subscrição, sinistros, atendimento e prevenção a fraudes.
Mas, à medida que a IA ganha espaço nas operações, surge um desafio: como transformar seu potencial em resultados reais, mantendo o controle sobre custos, decisões e riscos?
Esse foi um dos principais debates do addplay | Pós-ITC Vegas 2026: da tendência à decisão, que reuniu Ricardo Gondim, CTO da add; José Prado, presidente do Insurtech Brasil; e Ricardo Saponara, especialista em Riscos, Fraudes e Compliance da SAS.
A nova fase da IA: menos experimentação, mais transformação
A evolução dos agentes de inteligência artificial foi um dos destaques do encontro. Diferentemente dos assistentes que apenas respondem perguntas, esses agentes podem executar atividades, consultar sistemas e apoiar decisões ao longo de processos operacionais.
Para Ricardo Gondim, a tecnologia atingiu um nível de maturidade que permite aplicações mais relevantes dentro das seguradoras.
“A gente tem tantas opções quanto a nossa criatividade pode gerar.”
O CTO da add destacou que o movimento mais significativo ainda está por vir: a possibilidade de repensar processos inteiros, e não apenas automatizar tarefas isoladas.
Na prática, isso pode significar um corretor realizando uma cotação por meio de uma conversa com um assistente, um analista recebendo apoio para avaliar documentos ou um segurado solicitando a abertura de um sinistro sem precisar navegar por diferentes sistemas.
Governança e retorno: os desafios da IA em escala
Se a tecnologia está mais madura, sua implementação exige decisões cada vez mais criteriosas.
Ricardo Saponara destacou que o desafio não é simplesmente adotar inteligência artificial, mas integrar diferentes tecnologias e demonstrar seu impacto financeiro.
“A prova do retorno sobre investimento é o grande ponto.”
O especialista também chamou atenção para os custos de utilização dos modelos e para a importância de escolher recursos adequados à complexidade de cada demanda.
Outro ponto central é a governança. Afinal, quem responde quando um agente automatizado toma uma decisão incorreta?
Para José Prado, o cuidado é especialmente importante em seguros, setor em que uma falha na contratação, na análise de riscos ou na decisão sobre um sinistro pode produzir consequências relevantes.
“Qualquer erro pode ser um risco muito grande. Um erro em autorizar ou não um sinistro, ou até numa venda ou no contrato.”
Nesse cenário, rastreabilidade, supervisão humana e capacidade de explicar decisões deixam de ser preocupações secundárias e passam a integrar a própria arquitetura das soluções.
O próximo passo pode ser evitar o sinistro antes que ele aconteça
Entre as possibilidades discutidas no addplay, uma das mais significativas foi apresentada por Ricardo Saponara: o avanço da IA para uma atuação mais preventiva das seguradoras.
A combinação de dados externos, sensores, dispositivos conectados e modelos analíticos pode ajudar a identificar situações de risco antes que elas resultem em perdas.
O especialista citou, por exemplo, a utilização de dados sintéticos para simular cenários de alagamento e avaliar seus possíveis impactos sobre uma carteira de seguros.
Essa abordagem representa uma mudança importante: utilizar a tecnologia não apenas para acelerar a resposta a um sinistro, mas também para contribuir com sua prevenção.
Ao mesmo tempo, exige que as seguradoras ampliem sua capacidade de integrar informações, interpretar dados e transformar análises em ações concretas.
O ITC Vegas 2026 deixou uma mensagem importante para o setor: a próxima fase da inteligência artificial não será definida apenas pela sofisticação dos modelos, mas pela capacidade das empresas de aplicá-los com propósito, governança e resultados mensuráveis.
Na add, seguimos acompanhando e impulsionando essa transformação, conectando tecnologia, conhecimento do mercado segurador e desenvolvimento de soluções para desafios reais de negócio.
Quer conhecer mais sobre as tendências e discussões do ITC Vegas 2026?
Assista à edição completa do addplay | Pós-ITC Vegas 2026: da tendência à decisão, com Ricardo Gondim, José Prado e Ricardo Saponara.


